domingo, 20 de outubro de 2019

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Estudo mostra que desigualdade entre Entorno e DF ainda é grande
Apesar de próximos, o Distrito Federal e as cidades vizinhas diferem em quase todos os aspectos. Enquanto moradores de Brasília têm renda média acima de seis salários mínimos, em 12 localidades goianas, a média é de três salários
A falta de emprego em Valparaíso, cidade goiana a 35km de Brasília, obriga Marilu Soares, 57 anos, a madrugar e enfrentar o trânsito rumo ao Distrito Federal, todos os dias, para trabalhar. De segunda a sábado, ela sai de Céu Azul, bairro da cidade onde mora, e chega ao Guará 1, onde é gerente de uma loja de sapatos. “Gosto de morar lá. É tranquilo, e o custo de vida é mais barato, mas há muito tempo mando currículo para o comércio da cidade e não tem nada”, lamenta. Para alcançar o DF, ela vai de mototáxi até uma parada de ônibus, onde pega carona com um amigo, que também presta serviço no Guará.
Marilu faz parte do mais recente estudo da Companhia de Planejamento do DF (Codeplan) sobre o perfil socioeconômico dos municípios limítrofes ao Distrito Federal. Segundo o levantamento, mais da metade dos moradores de Águas Lindas (58,6%); Novo Gama (56,6%); Valparaíso de Goiás (55,0%); Cidade Ocidental, (52,3%); e Santo Antônio do Descoberto (50,7%) trabalham em alguma região administrativa da capital do país. Os dados integram a Pesquisa Metropolitana por Amostra de Domicílios (PMAD) 2017/2018, que detalha as características gerais de 12 municípios goianos que compõem a área metropolitana de Brasília.
De acordo com o estudo, em todas essas cidades, a renda média está abaixo de três salários mínimos; portanto, a população é classificada como de baixa renda. Enquanto isso, na capital federal, os moradores têm renda média domiciliar de R$ 6.159,40 — em Cocalzinho de Goiás, por exemplo, ela fica em R$ 1.720,85. O economista Ciro Almeida, da G2W Investimentos, explica que, pelo fato de o DF concentrar renda elevada, as pessoas de fora fazem essa migração em busca de oportunidades de emprego.
Ele ressalta ainda que a quantidade de servidores públicos na capital contribui para o aumento da desigualdade. “A elevação salarial desses funcionários causa recessão econômica, que afeta diretamente a classe de baixa renda. Os moradores do Entorno têm de pagar os mesmos impostos que os mais ricos, mas o impacto na renda familiar é maior”, afirma.
Com renda de menos de dois salários mínimos por mês, a empregada doméstica Nilva Mara dos Santos, 39, desembolsa R$ 24,50 para ir e voltar do trabalho diariamente. O deslocamento entre Jardim Ingá, distrito do município de Luziânia, a cerca de 46km do centro de Brasília, e Octogonal, ocorre com dois ônibus e uma van. Seis horas são gastas no percurso cumprido pela BR-040 há quase 10 anos. “É muito caro, e os patrões só pagam o valor de uma passagem. O restante vem do próprio bolso”, lamenta.
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https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/cidades/2019/10/20/interna_cidadesdf,799189/estudo-mostra-que-desigualdade-entre-entorno-e-df-ainda-e-grande.shtml
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