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Conheça as atletas da base do Minas Brasília convocadas para a Seleção

Mesmo com pouca idade, Ana Beatriz e Maria Vitória já têm uma história emocionante de superação e persistência para contar As meninas Ana Be...


Mesmo com pouca idade, Ana Beatriz e Maria Vitória já têm uma história emocionante de superação e persistência para contar
As meninas Ana Beatriz e Maria Vitória da base do Minas Brasília foram convocadas para a Seleção Brasileira Sub-17 e aos 14 anos estão realizando um dos maiores sonhos de suas vidas: vestir a camisa verde e amarela. Elas irão integrar a equipe dos dias 14 a 26 de fevereiro, no Centro de Treinamento João Havelange, no Rio de Janeiro.

Mesmo com pouca idade, as brasilienses já têm uma história emocionante de superação e persistência para contar. O Metrópoles conversou com as “meninas de ouro” do Minas e relata a trajetória delas até o dia que souberam do chamado da treinadora Simone Jatobá.

Ana Beatriz Souza Lopes narra que nasceu em beira de campo e acompanhava os jogos de seu pai Tiago Negão. Na missão de perseguir o sonho de ser jogadora de futebol, o primeiro obstáculo apareceu dento de casa pois, na época, o patriarca não aceitava que ela jogasse. “Meu vô e minha mãe me colocaram em uma escolinha escondido dele”, contou a zagueira. Ele mudou de ideia quando foi ver um jogo da filha e ela marcou um golaço de falta, lembra.


Ana Beatriz, zagueira e volante do Minas BrasíliaArquivo pessoal

Ana Beatriz, zagueira e volante do Minas BrasíliaArquivo pessoal
Com “muito treino, disciplina e, principalmente, amor pelo futebol”, ela foi alcançando cada um de seus objetivos, superando todas as barreiras que tentaram pará-la e almeja ir ainda mais longe. “Comecei a jogar com 8 anos de idade. Sofri muito preconceito e muito bullying, mas graças ao apoio da minha família, nunca desisti dos meus sonhos e essa convocação, se Deus quiser, vai ser a primeira de muitas”, comemorou.

Ana conta que começou no esporte jogando ao lado de meninos, no Gol de Placa do Riacho Fundo 1. O primeira time da zagueira — que também atua como volante — foi no futsal, no Colégio Adventista de Taguatinga, e depois já ingressou nas categorias de base do Minas Brasília.

Inspirada na lenda do futebol feminino brasileiro e mundial Formiga, a brasiliense disse que estava dormindo quando recebeu a notícia da convocação: “A presidente Nayeri (Albuquerque) ligou para minha mãe, ela perguntou se era brincadeira e depois falou ‘deixa eu desligar que eu estou passando mal’ (risos). Minha mãe quase morreu do coração e meu pai passou mal quando soube, ficou muito feliz.”

A técnica da base do Minas, Ana Paula Malmonge, acredita que as duas atletas conquistaram vaga na convocação devido ao desempenho delas no Campeonato Brasileiro Sub-18. A treinador foi só elogios para a zagueira: “A Ana Beatriz está entre os dois termos. Ela é daquelas que tira tudo, sem nem pensar, mas também consegue fazer uma ligação da defesa para o ataque.”

Sobre ter sido convocado junto da Maria Vitória, tanto ela quanto a colega comemoraram bastante. Elas se conhecem desde os 9 anos e se consideram irmãs. “Nós estamos juntas desde o início. Cada uma sabe o que a outra passou para chegar onde estamos agora”, lembrou Ana.
Vitorinha, a ousada

Maria Vitória Rodrigues Sales teve seu primeiro contato com a bola aos 3 anos, segundo ela ainda na creche. “No intervalo, as meninas sempre ficavam separadas dos meninos, brincando de corda e outras coisas, mas eu nunca gostei. Eu sempre ficava com os meninos na quadra, jogando futebol, apesar deles não deixarem às vezes, porque sempre teve isso (preconceito).”

“Eu chegava nos lugares e não me deixavam jogar com os meninos ‘porque eu sou menina’, falavam que eu parecia um menino e sempre teve isso”, lembrou.

“Mas isso nunca me afetou, apesar de às vezes eu ficar bem chateada. Eu sempre levantei a cabeça e foquei no que eu queria, no meu objetivo e hoje eu estou aí, jogando bola e profissionalmente”, ressaltou Vitorinha.


Maria Vitória ao lado de MartaArquivo pessoal

A ponta/meia-atacante de 14 anos foi convocada para a Seleção Sub-17Arquivo pessoal


A meia-atacante/ponta se inspira na Rainha Marta e compara seu estilo de jogo com o de Neymar. “Eu sou muito ousada. O pessoal fala que eu sou marrenta, mais que ele (Neymar) às vezes”, disse. A treinador Ana Paula, também usou a mesma palavra para descrever o talento de Vitorinha:
“Ela tem tomadas de decisões muito boas. Ela é muito habilidosa, é uma menina muito ousada. Ela tem o ‘gostoso’ do futebol, de amar o futebol, de viver o futebol as 24 horas do dia. Ela é uma atleta muito inteligente, não só com a bola no pé, mas sem ela também.”

Vitorinha mora no Minas Tênis Clube e, desde 2012, sempre viu o Minas Brasília jogando. Quando ficou sabendo da convocação, ela contou que estava deitada na cama, vendo um vídeo no celular e recebeu uma mensagem da amiga Ana Clara. “‘Vitorinha, é sério?’ e eu respondi ‘É sério o quê, Ana Clara?’, porque eu não sabia ainda. Aí, eu fui ver o grupo do Sub-16 e a presidente Nayeri mandou lá, nos parabenizando pela convocação. Eu falei ‘gente, eu não acredito que sou eu’.”

“A minha mãe saiu correndo, me abraçou, minha vó chegou chorando e abraçando todo mundo. Como eu moro na parte de cima do Minas, eu saí correndo até as lanchas, gritando ‘Eu fui convocada! Eu fui convocada!’, fiquei muito feliz e emocionada. Eu vi uma lágrima cair do olho do meu time Marquinhos e eu nunca tinha visto ele chorar”, lembrou a jovem de 14 anos.

Depois de conquistar um de seus maiores sonhos, Maria Vitória deu um recado às meninas que estão começando no esporte: “Nunca desista. Vão te falar muitas coisas ruins, mas nunca desista. Foca no seu objetivo que vai dar certo. Tenha sempre garra nos treinos, na escola também não pode dar mole e mantenha o foco que vai dar certo.”
Consciente das mudanças que estão ocorrendo na modalidade feminina, ela ressalta que o caminho ainda é longo rumo à igualdade. “Eu acho que dos anos passados para cá já mudou muito a questão do investimento, da valorização, do preconceito, apesar de ainda ter um pouco. Eu espero que continue mudando pra melhor.”


Fonte: Metrópoles 

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