domingo, 28 de abril de 2019

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Berzoini: “Vão apressar as condenações de Lula para ele não ser solto”
Ex-presidente nacional do PT, Ricardo Berzoini acredita que há movimentos para evitar que o líder do partido vá para o regime semiaberto
Vivendo uma espécie de ocaso da sua carreira política, Ricardo Berzoini, ex-presidente do PT na época do Mensalão e ex-ministro, acredita que o ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva não sairá da cadeia neste ano. A possibilidade passou a ser cogitada após o Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinar a redução da pena do líder petista de 12 anos e 1 mês para 8 anos, 10 meses e 20 dias no caso do triplex no Guarujá (SP). Após cumprir um sexto da condenação, ele poderia pedir a progressão do regime.
Para o ex-dirigente partidário, no entanto, há um processo em curso que pretende manter Lula preso. “Infelizmente, por conta de várias manobras judiciais que são claras para nós, há um apressamento do segundo processo que pode acabar por anular qualquer expectativa [de Lula ser solto]”, disse o Berzoini.
Depois de ocupar a presidência de um dos maiores partidos do país, chefiar ministérios em cinco ocasiões e exercer o mandato de deputado federal três vezes, hoje Berzoini é um dos funcionários do gabinete do deputado distrital Chico Vigilante (PT).
Em Brasília, ele acompanhou a palestra de Fernando Haddad, ex-prefeito de São Paulo e candidato derrotado nas eleições presidenciais de 2018, na Universidade de Brasília (UnB). De lá, com exclusividade ao Metrópoles, avaliou ser clara a movimentação da Justiça Federal do Paraná, onde está sediada a força-tarefa da Lava Jato, para evitar que o ex-presidente migre para o regime semiaberto ainda neste ano.
“Estamos identificando isso”, disse o petista. “Tanto é que, logo após a decisão do STJ, o juiz federal deu prazo que até então não tinha dado para que a defesa se pronuncie. Portanto, me parece que é muita coincidência para acreditar que é coincidência”, raciocinou.
“Mas os advogados estão cuidando disso. Eles têm boa capacidade de análise e poderão saber se há a possibilidade ou não de Lula voltar ao nosso convívio, plenamente livre”, ponderou o ex-ministro.
Conforme reiterou Berzoini, o PT entende que Lula é inocente e vítima de uma perseguição judicial, cujo principal objetivo foi impedi-lo de disputar as eleições presidenciais de 2018. “Acreditamos que só a mobilização popular poderá restabelecer o Estado democrático de direito no nosso país”, observou.
Eleições petistasO ex-ministro falou ainda sobre a próxima eleição para a direção nacional do partido, que será realizada no segundo semestre deste ano. Na disputa interna, há os grupos que defendem a permanência da atual presidente nacional, deputada federal Gleisi Hoffmann, no cargo. Mas há também os que preferem ver Haddad ocupando a posição, de muita visibilidade e relevância dentro da sigla.
“Há um ambiente de coesão interna, de unidade e de compreensão. O momento exige de nós muita sabedoria política e não vejo grandes problemas”, contemporizou Berzoini. “Vai ser um processo politizado e, na minha opinião, com disputas razoáveis e democráticas”, completou.
“Fui presidente nacional no PT e sempre disse que a presidência do partido não é tão importante como as pessoas pensam. Mais importante é ter uma chapa bem construída. Pode ser qualquer um”, afirmou. “A Gleisi, como tem direito a disputar a reeleição, tem prioridade. Se ela quiser continuar, acho que terá apoio da maioria do PT”, concluiu Ricardo Berzoini.

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