quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

author photo

Sem alarde, a área diplomática do Brasil vem fazendo constantes consultas a autoridades do Chile para tentar entender as razões de tantas pessoas estarem protestando nas ruas daquele país. O Chile é visto como sucesso de modelo econômico pelo ministro da Economia, Paulo Guedes.
Nas conversas com autoridades chilenas, diplomatas brasileiros dizem que consideram difícil ver, nas ruas do Brasil, protestos tão violentos quanto os observados nas últimas semanas no Chile. Mas não escondem o temor de algo estar sendo gestado sem que o governo brasileiro tenha conhecimento. Não por acaso, o sistema de inteligência do Palácio do Planalto foi acionado.
Os relatos das autoridades chilenas são contundentes. Dizem que o modelo liberal adotado naquele país se esqueceu dos pobres. Num primeiro momento, ressaltam, o programa econômico chileno melhorou a vida de muita gente. Mas não houve as etapas seguintes. Ou seja, as conquistas ficaram pela metade. E estão sendo cobradas agora.
Segundo relatos dos chilenos, o modelo previdenciário de capitalização — semelhante ao proposto pelo ministro Paulo Guedes, mas vetado pelo Congresso — resultou em aposentadorias “extraordinariamente baixas”, punindo muita gente da classe média. As contribuições eram de apenas 10% dos salários, insuficientes para uma poupança futura capaz de garantir bem-estar.
Esse mesmo sistema previdenciário esqueceu de considerar as dificuldades de contribuição por parte de trabalhadores que ficaram desempregados. Esses buracos nas contribuições resultaram em aposentadorias que sequer cobrem as compras do mês nos supermercados.
Medo de golpe
Os preços dos medicamentos também dispararam — os remédios por lá são os mais caros da América Latina. Mais: pessoas que, 20 anos atrás, aplaudiram o socialista Ricardo Lagos, ex-presidente, em entregas de moradias populares —, agora reclamam que o governo não pensou em construir garagens para que, um dia, pudessem ter um carro.
Apesar de todas as evidentes questões econômicas e sociais, as autoridades chilenas reconhecem que o movimento que se vê nas ruas do país é difuso, sem lideranças claras. Ressaltam também o grande perigo representado pela violência das manifestações, sobretudo para a democracia. Não por acaso, governo e oposição se uniram em busca de uma solução rápida para a crise.
Há o temor claro, já expressado pelo presidente chileno, Sebastian Piñera, de que as manifestações acabem incitando movimentos anti-democráticos, liderados pelos militares, que, por enquanto, dão sinais de tranquilidade. O maior medo é de que, em meio ao caos, o Chile seja vítima de um novo golpe militar. A ditadura chilena foi a mais violenta da América Latina.

Brasília, 15h41min
your advertise here

Este post tem 0 Comentários

Próximo Próximo
Anterior Anterior

Tempo Agora

ESTRUTURAL - DF TEMPO AGORA