quinta-feira, 7 de novembro de 2019

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O casal que se afundou em dívidas para tentar aumentar a renda com a Uber
Número de famílias com dívidas cresce no país e chega ao maior patamar desde 2015. Cifra trava retomada do consumo, mais um indicador que derruba expectativas de melhora na economia
Desempregado desde o início do ano, Glauber William Souza tem pressa para achar um novo posto de trabalho. Só no mês de abril calcula ter entregado, ou enviado por email, mais de cem currículos. "A crise no Brasil está feia, já não dá para escolher. Sinceramente, a vaga que aparecer, eu preciso aceitar. Meu último emprego foi como coordenador de uma hamburgueria", diz Souza após enfrentar uma longa fila em busca de uma oportunidade em uma rede de supermercado, que anunciou a abertura de 160 vagas, na zona sul de São Paulo, e reuniu milhares de pessoas. Enquanto continua na fila do desemprego —que atinge atualmente 13 milhões de brasileiros em um cenário de economia estagnada— , Souza aceita alguns bicos para conseguir pagar pelo menos as contas de luz e água e, também, a alimentação da família.
As dívidas do desempregado, no entanto, não param de crescer. "Pago o extremamente necessário. As outras contas estão atrasadas e já não pago nem o mínimo da fatura do cartão de crédito", diz. Para tentar quitar parte das pendências, ele pediu um empréstimo pessoal, mas acabou criando uma bola de neve de dívidas, que aumentou ainda mais após a mulher também ser demitida do local em que trabalhava. Além de perder o controle dos gastos com os quatros filhos e das contas da família, Souza diz estar "com o nome sujo na praça" por ter entrado na lista dos maus pagadores. "A questão é que isso também dificulta para eu conseguir um emprego", explica.
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